Reforma Tributária: O sistema financeiro vai ficar mais caro (e já começou)

Reforma Tributária O sistema financeiro

Se você acompanha o noticiário econômico, a palavra da vez é “simplificação”. O discurso oficial vende a Reforma Tributária como a solução mágica para desburocratizar o Brasil. E, de fato, a simplificação é necessária.

Mas existe uma linha tênue entre o que é dito nos palanques e o que acontece na tesouraria das empresas.

Enquanto o mercado celebra o fim do manicômio tributário, um efeito colateral silencioso já começou a se formar, e ele afeta diretamente o combustível do seu negócio: o custo do dinheiro.

Ninguém está falando isso abertamente, mas o sistema financeiro brasileiro vai ficar mais caro. E não estamos falando de um cenário hipotético para daqui a dez anos. Essa precificação já começou.

Ao contrário do que a narrativa pública sugere, o setor financeiro entrou em uma dinâmica oposta à da simplificação pura. Estamos vendo a formação de um tripé perigoso para quem depende de recursos de terceiros:

  • Mais imposto embutido nas operações;
  • Margens mais apertadas para quem concede crédito;
  • Menos flexibilidade na negociação de taxas.

O resultado? O crédito, o capital de giro e a antecipação de recebíveis ferramentas vitais para o fluxo de caixa vão pesar mais no seu orçamento.

Neste artigo, vamos deixar a teoria de lado e explicar, na prática, por que a conta do banco vai aumentar e como a sua empresa pode se blindar desse impacto.

A Nova Lógica: Por que o custo operacional mudou?

Para entender o aumento do custo, precisamos olhar para onde o problema começa: a mudança no regime de tributação.

Hoje, bancos, fintechs e seguradoras operam sob regimes tributários específicos. Com a chegada do IVA Dual (o novo modelo de imposto sobre valor agregado), os serviços financeiros entram em uma nova lógica de mercado que altera profundamente seu custo estrutural.

Não é apenas uma troca de siglas. Estamos falando de três fatores que pressionam o setor:

  1. Base de incidência maior: O imposto passa a incidir sobre uma fatia maior da operação;
  2. Menos exceções: Os benefícios fiscais que antes aliviavam o setor foram drasticamente reduzidos;
  3. Carga embutida: O custo sobe internamente na operação financeira antes mesmo de chegar ao preço final.

O resultado é matemático: se a operação fica mais cara para a instituição financeira, a margem de lucro diminui. E no mercado financeiro, quando a margem cai, o preço do serviço sobe.

Quem paga essa conta? (A diferença entre Bancos e Fintechs)

A diferença entre Bancos e Fintechs
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Aqui mora um detalhe crucial que poucos gestores estão observando. O impacto da reforma não será igual para todos os players do mercado, mas a consequência final converge para o mesmo lugar: o seu bolso.

As Fintechs sentem primeiro

As fintechs foram as grandes responsáveis por baratear o crédito no Brasil nos últimos anos. Porém, elas operam em um modelo de escala com margem curta. Elas têm pouca “gordura” para queimar.

Qualquer aumento tributário bate direto no modelo de negócio delas. Isso significa que aquela taxa competitiva ou aquela facilidade na antecipação que você encontrava nas fintechs tende a ficar mais rígida. O “primeiro elo” a sentir a pressão tributária é justamente quem trazia competitividade ao setor.

Os Grandes Bancos repassam o custo

Já os bancos tradicionais jogam outro jogo. Eles possuem estrutura robusta e poder de mercado para:

  • Ajustar preços rapidamente;
  • Reprecificar operações de crédito em andamento;
  • Repassar o custo integralmente.

A lógica dos grandes bancos é clara: eles têm mecanismos para proteger seus spreads. Se o custo sobe na origem, ele é repassado na ponta.

No fim das contas, a regra é clara e dura: quem paga o aumento da carga tributária é quem precisa do dinheiro.

O efeito prático no seu caixa (onde dói)

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Muitos empresários só vão perceber a dimensão dessa mudança no pior momento possível: na hora da decisão financeira.

O impacto real não aparece nos discursos políticos, ele aparece no extrato bancário. Empresas que operam alavancadas ou que dependem de giro constante vão sentir o choque de três formas imediatas:

  1. Antecipação de Recebíveis mais cara: Aquela taxa que você já considerava alta para adiantar o cartão ou o boleto vai carregar um custo tributário maior. Se a sua margem já era apertada, ela pode desaparecer aqui.
  2. Renegociação de Taxas travada: Com o aumento do custo estrutural dos bancos, a margem de manobra do gerente da sua conta diminui. A flexibilidade para reduzir juros ou estender prazos será menor.
  3. Planejamento de Caixa comprometido: O dinheiro parado ou o dinheiro tomado terão custos diferentes. A conta de “juros pagos” no seu DRE vai inchar, pressionando o resultado líquido.

A Reforma Tributária, para o setor financeiro, não é neutra. Ela muda o preço do “combustível” que faz sua empresa rodar.

A sobrevivência exige profissionalismo

O cenário de “dinheiro barato” ou de crédito fácil subsidiado por isenções fiscais ficou no passado. O sistema financeiro brasileiro vai ficar mais caro, e isso é um fato, não uma especulação.

Neste novo jogo, não há espaço para amadorismo na gestão financeira. Quem continuar gerindo o caixa da empresa “pelo saldo do banco” ou tomando crédito sem analisar o Custo Efetivo Total (CET) atualizado, vai ver sua lucratividade ser corroída por despesas financeiras invisíveis.

Se você é empresário ou gestor, a hora de revisar sua estrutura de capital e sua estratégia de crédito é agora. Não espere a nova alíquota chegar no boleto para reagir.

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